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Empresas tiveram profundas transformações na década

Scott Thurm, The Wall Street Journal 21/12/2009 Texto: A- A+ Para compreender os desafios que as empresas americanas tiveram que enfrentar nos últimos dez anos, basta lembrar destes nomes bem conhecidos que "não" conseguiram atravessar a década: Anheuser-Busch, Compaq, Gillette, Enron, Lehman Brothers, Merrill Lynch, WorldCom. Sempre haverá algumas empresas que fracassam, ou acabam sendo compradas. Mas os últimos dez anos foram tumultuados: duas bolhas de investimentos estouraram, cada uma seguida por uma recessão. A internet chegou à maturidade, tornando-se uma engrenagem crucial para o comércio e gerando novas firmas inovadoras - e causando destruição em um setor tradicional após o outro. Firmas globais de economias emergentes conseguiram chegar à categoria de grandes nomes mundiais. E os governos reverteram sua retirada, que já durava décadas, passando a interferir de maneira mais vigorosa na economia mundial. As empresas se viram num mundo conectado, instantâneo, hipercompetitivo e cada vez menor, onde um único passo errado pode ser fatal e os executivos podem passar de heróis a párias em questão de semanas. "Tanto a exuberância como a depressão - a ascensão e a queda - parecem maiores e mais difundidas", diz Rosabeth Moss Kanter, professora da faculdade de Administração Harvard. A década começou em meio à noção eufórica de que a internet mudaria o mundo. E mudou - mas nem sempre da maneira esperada. No 11º dia da década, a Time Warner Inc. e a America Online Inc. anunciaram sua fusão, negócio avaliado na época em US$ 156 bilhões. Mas o casamento da velha mídia com a nova mídia fracassou, e as duas empresas, substancialmente reduzidas, completaram o divórcio este ano. Outros gigantes da tecnologia e da telecom sofreram ainda mais. A Lucent Technologies Inc., a nona empresa mais valiosa do mundo no início da década, foi engolida pela francesa Alcatel SA em 2006. A WorldCom Inc., também entre as 25 maiores do mundo, desmoronou em um escândalo contábil. Enquanto a década corria, a internet passou a ser conhecida como destruidora de empresas. Ela virou de cabeça para baixo modelos de negócios com décadas de existência, em campos como mídia e entretenimento, à medida que os consumidores e os anunciantes migravam para o mundo digital. Mas ela também criou oportunidades. O Google Inc., que tinha apenas 15 meses de idade no início da década, metamorfoseou-se de firma de tecnologia em poderosa empresa de publicidade e mídia, e agora planeja sua entrada nas comunicações. Nesse terreno a firma vai entrar em choque com a Apple Inc., que renasceu depois da volta de seu co-fundador Steve Jobs, em 1997. O iPod e o iTunes da Apple deram nova forma à indústria da música; seu iPhone revolucionou as comunicações ao abrir sua tecnologia a inovadores independentes. "É isso que o (economista austríaco Joseph) Schumpeter tinha em mente ao falar em destruição criativa", diz Paul David, historiador da economia da Universidade de Stanford. O colapso industrial é "um processo muito desagradável", diz David. "É um grande drama, e vê-lo se desenrolar nesta década foi muito interessante." O ritmo dos negócios também se acelerou, com grandes mudanças na estratégia. Há dez anos, empresas sólidas corriam para desenvolver estratégias pontocom, até que também as empresas pontocom entraram em colapso. Dos escombros surgiu uma bolha do crédito, simbolizada pelas firmas de private-equity, que adquiriram empresas sobrecarregadas de dívidas, como a Chrysler e a concessionária de serviços públicos TXU Corp. Quando o financiamento se evaporou, durante a crise do crédito, o caixa gordo se tornou rei, e a gestão conservadora mais uma vez foi recompensada. Essa também foi a década em que os Estados Unidos viram sua singular proeminência na arena dos negócios mundiais se reduzir substancialmente. Há dez anos, 7 das 10 empresas mais valiosas do mundo tinham sede nos EUA. Hoje, são apenas quatro; 3 se baseiam na China e das 3 restantes, uma tem sede no Brasil (a Petrobras), outra na Austrália e outra no Reino Unido. Pequenos varejistas e gigantes industriais como a General Electric Co. agora veem seus fornecedores, seus mercados e seus rivais de maneira global. Em 2007 a GE registrou, pela primeira vez, mais receitas vindas de fora dos EUA do que de dentro, como já havia acontecido com outras marcas como Coca-Cola Co. e Procter & Gamble Co. que há muito geram seu crescimento fora dos EUA. Outras firmas americanas tradicionais sucumbiram a concorrentes internacionais, sobretudo na indústria automobilística. Em 1998 a Chrysler Corp. fundiu-se à alemã Daimler-Benz AG. Em 2008 a japonesa Toyota Motor Corp. derrubou a General Motors Corp. do seu reinado de 77 anos como principal montadora mundial em termos de unidades vendidas. Este ano haverá mais carros vendidos na China do que nos EUA. A crise financeira e a recessão obrigaram a GM a aceitar uma recuperação judicial supervisionada pelo governo americano, assim como um pacote de socorro governamental. Entre os possíveis compradores para suas diversas divisões há várias companhias chinesas. Empresas americanas que antes consideravam os países emergentes apenas mercados agora "também têm que vê-los como concorrentes", diz Kanter, a professora de Harvard. O aumento da demanda nas economias emergentes contribuiu para uma subida de dez anos no preço das commodities. O petróleo, vendido a US$ 25 o barril há dez anos, superou os US$ 140 em meados de 2008, antes de recuar. Isso fez com que sete empresas petrolíferas entrassem no "clube" das 25 empresas mais valiosas do mundo, onde há dez anos havia apenas duas petrolíferas. A marcha rumo a uma economia global integrada não tem sido suave. A oposição política nos EUA, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, matou os planos da chinesa Cnooc Ltd. de comprar a Unocal Corp., assim como a intenção de uma companhia de Dubai de administrar portos americanos. Um esforço de grandes proporções para reduzir as barreiras ao comércio global - conhecido como rodada de negociações de Doha - está estagnado. Agora, no final da década, o governo americano possui cerca de 60% da GM, 38% do Citigroup Inc. e 80 % da seguradora American International Group Inc (AIG). (Colaborou Erin White).

 

 

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