Na última quinta-feira, o Brasil atingiu a marca histórica de 3 milhões de veículos novos emplacados. A China também comemora. Fechará o ano com crescimento de 28% e vendas de 12 milhões. Números que a colocam na liderança mundial, desbancando os EUA. Mas são os resultados brasileiros que fizeram a chinesa JAC Motors anunciar sua chegada ao país. Mas, ao contrário das outras cinco marcas conterrâneas já instaladas, a Jianghuai Automobile Co. quer concorrer em segmentos mais sofisticados, como o de minivans e o de sedãs médios de R$ 60 mil. As importações começam no final de 2010, quando a marca promete inaugurar 50 concessionárias -a Audi, por exemplo, tem 25 lojas pelo país. Para o importador da JAC, Sérgio Habib (ex-Citroën), a maior dificuldade vai ser desassociar a imagem dos carros chineses à baixa qualidade e à falta de personalidade. Há modelos que são cópias de carros consagrados, como o Toyota Corolla e seu "clone" BYD F3. A BYD, aliás, negocia a vinda ao país com o grupo CAOA, representante da sul-coreana Hyundai e da japonesa Subaru. "Até 2014, quando o Brasil prevê absorver 4 milhões de veículos, os chineses devem abocanhar entre 3% e 5%", acredita Habib -mesma fatia que a Hyundai e a Kia detêm hoje. A JAC prevê comercializar 35 mil carros por ano. Qualidade Em novembro, chinesas da Abeiva (associação das importadoras) somaram 2.120 emplacamentos (0,1%). A metade é da marca Hafei, que vende Towner em versões van ou picape por R$ 25 mil. São equipadas com motor 1.0 (48 cv). Outra que usa a tática do preço baixo é a Chery. O jipinho Tiggo 2.0 (135 cv) custa R$ 10 mil a menos que o rival Eco- Sport (R$ 59 mil). O Ford não tem bom acabamento, mas é melhor que o do chinês. O Tiggo, porém, ganhará uma nova geração em 2010. O Ford, com a mesma idade de projeto, será apenas reestilizado. "A velocidade de evolução é o grande trunfo dos carros chineses, que, em geral, ainda precisam melhorar muito", opina Luiz Carlos Augusto, diretor da Jato Consultoria.
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