Marli Olmos e Nelson Niero, de São Paulo Os sócios da MMC Automotores , que produz veículos da Mitsubishi no Brasil, transformaram a empresa em uma sociedade por ações. Trata-se de decisão incomum no setor. A estrutura de S.A. não é normalmente usada pelas montadoras no Brasil. À exceção de Fiat e Renault, que têm participações dos governos de Minas Gerais e Paraná, respectivamente, as fabricantes de veículos preferem ter no Brasil sociedades por cotas de responsabilidade limitada. A direção da MMC não quis comentar o assunto. A mudança foi feita em meados do ano. O capital social, de R$ 61,4 milhões, ficou dividido entre Eduardo de Souza Ramos, o empresário que trouxe a Mitsubishi para o país, com 88%, e o sócio, Paulo Arantes Ferraz, o presidente da empresa, com 12%. Fiat e Renault são as únicas que publicam demonstrações financeiras anuais, exigência da Lei das S.A. Enquanto os números das S.A. estão disponíveis, as limitadas têm a vantagem de prestar contas de seus resultados somente à Receita Federal. Quando uma empresa limitada abre mão dessa "vantagem competitiva" para tornar-se S.A., ela pode estar num processo de atrair novos acionistas e buscar recursos. Para uma instituição financeira, a estrutura de S.A. é mais segura na hora de conceder financiamento. Para os sócios também há mais garantias. O estatuto da MMC, por exemplo, elege o Centro de Arbitragem da Câmara de Comércio Brasil-Canadá como foro para disputas entre acionistas, administradores e conselheiros. A decisão de transformar a MMC ocorreu após visita do presidente mundial da Mitsubishi, Osamu Masuko, ao Brasil. Há pouco mais de um ano, Masuko veio conhecer as instalações da fábrica que produz veículos da marca em Catalão (GO). Foi a primeira vez que o executivo que ocupa o mais alto posto de comando da montadora japonesa esteve na fábrica, inaugurada em 1998. A Mitsubishi não detém nenhuma participação no empreendimento. A instalação de Catalão pertence aos dois investidores brasileiros (Souza Ramos e Ferraz), com os quais a Mitsubishi mantém parceria há 20 anos. A MMC paga à montadora pela transferência da tecnologia. No início deste ano, a direção da Mitsubishi teria mencionado, de acordo com o jornal japonês "Nikkei", a intenção de transferir para o Brasil parte da produção para reduzir o impacto do fortalecimento do iene nos custos. Posteriormente, o grupo brasileiro esclareceu que ganhou da montadora aval para escolher mais quatro modelos de veículos que desejar produzir no país e ainda licença para exportar para a América Latina, um velho sonho dos investidores brasileiros. A decisão de transformar a empresa numa S.A. também ocorre no momento em que os maiores fabricantes definem grandes programas de investimentos para o Brasil, hoje o quinto maior mercado de veículos do mundo. Outros asiáticos estão de olho no potencial do mercado brasileiro. A Toyota começou a preparar o terreno que comprou em Sorocaba (SP) para erguer uma grande fábrica, onde pretende produzir um carro pequeno desenvolvido para mercados emergentes. A Hyundai também tem no Brasil uma parceria semelhante à da Mitsubishi com a MMC. No caso, a montadora coreana transfere tecnologia para o grupo brasileiro CAOA, dono de uma fábrica de veículos da marca em Anápolis (GO). Mesmo assim, recentemente a Hyundai decidiu construir a própria fábrica em Piracicaba (SP).
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